sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Release do livro O Arlequim da Pauliceia, da editora Geração

Imagens de São Paulo na poesia de Mário de Andrade
Este passeio poético pelo centro velho de Sampa lembra, grosso modo, o filme Meia noite em Paris, em que Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes escritores e pintores da belle époque. Só que o encontro é “apenas” com Mário de Andrade, que vale por muitos.
Em O arlequim da Pauliceia, Aleilton Fonseca destaca o amor de Mário de Andrade por São Paulo, ao mesmo tempo em que descobre novos sentidos em sua obra, mesclando excertos dela e fotografias das primeiras décadas do século 20. O resultado primoroso nos conduz a uma viagem nostálgica e poética.
Sensorialmente, o leitor terá o prazer de andar de bonde, molhar-se na São Paulo da garoa, iluminar-se à luz dos lampiões a gás, acompanhar a construção do Teatro Municipal, da Catedral da Sé, do Edifício Martinelli, ver simples transeuntes de terno, gravata e chapéu no centro velho da cidade, mulheres vestidas à la française, à sombra dos primeiros arranha-céus, ouvindo os ruídos dos primeiros automóveis importados e o burburinho cada vez mais rumoroso de uma Pauliceia que engatava marchas em direção a uma loucura que se desenhava e se redesenha até hoje.
Se você nunca leu Mário de Andrade esta obra vai despertar o seu desejo. E se já leu vai ter uma nova leitura, uma redescoberta. Aleilton se coloca elegante e humildemente em segundo plano para elevar Mário de Andrade à altura que ele merece. Os dois se merecem e se incorporam na busca de compartilhar o sentimento e a poesia com os seus semelhantes.
“Ao tematizar a cidade de São Paulo, Mário de Andrade produz, sobretudo, uma poética do olhar. A atitude de contemplação da paisagem urbana é um dos traços mais fortes de toda a sua obra”, destaca o autor. Segundo ele, o modernista pregava uma poesia que exprimisse os sentimentos unânimes do homem diante da agitada vida urbana. Exprimir a cidade em versos significava, para o poeta, domá-la, pô-la nas rédeas da linguagem, de novo humanizá-la, tornando-a inteligível, transparente ao sentimento humano, explica Fonseca.
O leitor está em ótima companhia. Desacelere e volte ao início do século passado. Depois volte devagarinho, para não se assustar com a cidade atual diante de si. Mário de Andrade já previa esta explosão e este caos,pero sin perder la ternura.
SOBRE O AUTOR
Aleilton Fonseca (1959) escreve ficção, poesia e ensaios. Publicou, em poesia: Movimento de Sondagem(1981), O espelho da consciência (1984); Teoria particular (mas nem tanto) do poema (1994), As formas do barro & outros poemas (2006) e Une rivière dans les yeux/Um rio nos olhos (edição bilíngue, 2012); em ensaio:Enredo romântico, música ao fundo (1996) e Guimarães Rosa, écrivain brésilien centenaire (Bélgica, 2008); em conto: Jaú dos Bois e outros contos (1997), O desterro dos mortos (2001, 2010, 2012), O canto de Alvorada(2003, 2004), Les marques du feu et autres nouvelles de Bahia (França, 2008), A mulher dos sonhos & outras histórias de humor (2010), As marcas da cidade (2012); publicou dois romances: Nhô Guimarães (2006), O pêndulo de Euclides (2009), e a novela Memorial dos corpos sutis (2012); além disso organizou Melhores poemas de Sosígenes Costa (2012) e co-organizou As formas informes do desejo (2010) e Jorge Amado nos terreiros da ficção (ensaios, 2012). É Licenciado em Letras (UFBA, 1982), tem mestrado pela UFPB (1992), e Doutorado pela Universidade de São Paulo (1997). É professor titular pleno de Literatura Brasileira, na Universidade Estadual de Feira de Santana-Bahia. Coeditou Iararana – Revista de arte, crítica e literatura (Salvador), e coedita Légua e Meia – Revista de Literatura e Diversidade Cultural (UEFS). É membro da Academia de Letras da Bahia, do PEN Clube do Brasil e da UBE/SP. É correspondente da revista francesa Latitudes: cahiers lusophones. Em 2012, representou o Brasil, como poeta convidado, no 28e. Festival International de la Poésie, no Quebec/Canadá. O ensaio deste livro é uma parte de sua tese de doutorado, que foi defendida na Universidade de São Paulo, com a orientação de Zenir Campos Reis.
 Autor: Aleilton Fonseca
Formato:15,6x23
Páginas: 296
Categoria: Poesia
ISBN: 9788581300993
Peso: 600gr
Preço: R$ 29,90
Editora: Geração Editorial
Sinopse:

Esqueça a pressa. Pegue o bonde e viaje lentamente pela São Paulo do início do século passado em companhia de Mário de Andrade e de fragmentos de sua poesia. Este livro, de autoria de Aleilton Fonseca, é um túnel do tempo, um passeio pelo centro velho de Sampa, lembrando, de certa forma, o filme Meia noite em Paris, em que Woody Allen promove o encontro do protagonista com grandes escritores e pintores da belle époque.
Textos e fotos se encaixam com perfeição para nos fazer voltar ao passado, mergulhando-nos na obra do modernista, que amou São Paulo como ninguém. Vista uma capa para se proteger da garoa que caía insistentemente sobre a cidade, tornando-a londrina e melancólica. E sinta como Mário de Andrade amou a maior megalópole do Brasil. Boa viagem. Você está em ótima companhia. “Prazer em conhecê-lo, meu caro Aleilton”, diria o modernista.


Um abraço,

 

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